Pensei muito antes de escrever este texto, e mais do que pensar, senti, senti cada célula do corpo, senti o bater do peito, senti a força do meu lado guerreiro que não quer baixar os braços nunca.

Já vão 10 anos de um profundo trabalho de consciência e de cura, 10 anos de força e de fé…. 10 anos de persistência e disciplina.
Durante estes 10 anos, após receber o diagnóstico de endometriose profunda passei por várias médicas, umas excelentes profissionais, completamente dedicadas às pacientes e ao seu equilíbrio… Mas infelizmente, cruzei-me também com muitas médicas (mulheres como eu, esperando-se assim maior sensibilidade) que usaram expressões violentas, as quais tive de trabalhar a um nível muito profundo para as retirar da minha mente, do meu corpo, para as não deixar ter um efeito ainda mais violento e nocivo: “essa doença vai consigo para a cova”; “tem ovários de uma mulher de 60 anos”, “duvido que consiga engravidar” e por aí fora…. Saí de todos estes momentos em estado de choque, sem conseguir ter uma reação, uma palavra…Nada! Nunca fiz queixa, nunca voltei atrás para dizer – não podem fazer isto, não podem violar o nosso equilíbrio, a nossa força e a nossa vontade de fazer algo pelo nosso corpo, não têm esse direito”!!!
Fiquei no silêncio e libertei através do choro as emoções que pessoas menos felizes, depositaram em mim, sem qualquer consciência ou culpa, do que nos estão a provocar.
Mas hoje digo CHEGA! BASTA!!! Faço isto por mim e por todas as mulheres que já viveram ou vão viver o mesmo. É preciso agir para que este tipo de comportamentos e de assédio emocional sejam travados!!!
Não é suposto um médico trabalhar para a nossa saúde??? Não é suposto ajudarem-nos a ser mais saudáveis e equilibrados??? Então como podem alguns deles, gratuitamente, gravarem no “disco rígido” da nossa mente palavras que corroem? Que põe as pessoas ainda mais doentes???
Tenho tido vitórias fantásticas, incríveis, milagrosas até, consegui e continuo a conseguir aquilo que ninguém acreditaria… E durante um episódio vivido hoje, relembrei-me que isto já me tinha acontecido lá atrás e que eu nada fiz…nem por mim, nem por ti, nem por outras mulheres, nem por outros homens.
Chega! Hoje eu digo BASTA! – Não ao silêncio e ao medo!
Esta manhã fui vista de urgência porque um quisto hemorrágico folicular (https://www.tuasaude.com/cisto-hemorragico/) cresceu mais do que o normal, o que provocou dores e limitações a nível da sacro. A médica que me viu, antes mesmo de me analisar, descredibilizou o diagnóstico que já me tinha sido dada por outra colega, na sua cabeça as minhas queixas estavam ligadas à endometriose, porque o período estaria para vir (o que não é verdade pois falta mais do que uma semana).
Cuidadosamente, e calmamente expliquei que não tinha a ver com a endometriose, que tenho passado bem na menstruação, e que a própria colega que já me tinha analisado, me tinha referido que a dor era causada pela pressão do quisto, e que os meus ovários e o útero estavam “bonitos” e limpos. Queres saber o que a Dra. Inês Pereira me respondeu? “Esse diagnóstico parece-me muito positivo para uma barriga estragada”……….Silêncio absoluto da minha parte….
Um silêncio de choque….um silêncio causado pela tristeza, pela desilusão de ter uma mulher à minha frente, capaz de usar aquelas palavras para outra mulher!!!
Não vou criticar os médicos no geral porque não seria justo, tenho sido acompanhada por profissionais incríveis que foram muito importantes no grande retrocesso da doença, não falo como se todos fizessem isto, porque felizmente não fazem! Mas preciso de falar pelos que agem desta forma desumana e “doente”! Curiosamente, sempre que fui violentada a nível emocional foi por médicas, profissionais mulheres que decidiram trabalhar para a saúde de outras mulheres, e que ao invés de passarem saúde nos agridem com palavras violentas e completamente destrutivas.
Hoje por ti, por mim e por todos os que possam passar por situações destas, quebro o silêncio… pego em toda a minha coragem e digo chega!
É importante referir, que estas palavras me foram ditas sem antes, me ter sido feita a ecografia, e depois da ecografia ser feita, a Dra. Inês Pereira, acabou por dar exatamente o mesmo feedback – de facto é só um quisto hemorrágico folicular, que está a provocar as dores, contudo, efetivamente o meu útero e os meus ovários continuam “bonitos”.
Eu sabia que este seria o diagnóstico, tenho consciência de tudo o que tenho feito por mim mesma, tenho dedicado estes últimos 10 anos da minha vida à verdadeira saúde, aquela que começa na nossa mente – aquela que nos faz mudar hábitos de vida, aquela que nos dá força e ânimo, aquela que nos torna imbatíveis, aquela que nos torna persistentes, sem a saúde mental a física está comprometida. Não deveriam estes médicos ser os primeiros a ter consciência disto?
Por mim, por ti, hoje eu quebro o silêncio, não só virtualmente, a minha ação será mais do que isto, será a de uma queixa, para que a partir de agora, está médica pense 3 vezes antes de agredir uma mulher que ainda nem foi mãe, mas mesmo que fosse…A violência seria a mesma e teria exatamente o mesmo efeito.
Por mim, por ti, agarro em toda a minha coragem, fragilizo-me por trás deste computador, deixo que as lágrimas corram para te pedir – divulga, não fiques no silêncio, se acontecer contigo age na hora, CHEGA de permitirmos ser tratados como um saco de boxe por profissionais que deviam ser os primeiros a ensinar-nos a importância de uma mente sã para um corpo são.
Dra. Inês Pereira que esta minha partilha te permita compreender o efeito doloroso que podes ter na vida de quem se cruza no teu caminho para procurar saúde e ânimo, sim dirijo-me a ti sem formalidades, de mulher para mulher, e aquilo que te peço é que penses muito bem antes de proferir o que quer que seja, lembrando-te que à tua frente pode estar alguém muito fragilizado que vai acreditar nas tuas palavras com tanta força, que essas palavras se tornarão na sua maior doença… Acredito que escolheste esta área não para “criar” doentes e sim porque acreditas nos milagres da medicina e no que ela nos pode trazer, que a partir de hoje seja essa a tua missão – a de cuidar e de ser compassiva. A ti agradeço-te porque foste um veículo para eu quebrar o silêncio de anos, foste um veículo para eu pedir a tantas mais pessoas que não aceitem estes tratamentos e que os divulguem ao máximo, para que eles um dia acabem definitivamente!!!!
Hoje, por ti e por mim quebro o silêncio, acreditando que a minha coragem de hoje pode ser a diferença do teu amanha!